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Sociedade

Médica canadense propõe novo olhar sobre a morte assistida em debate internacional

Stefanie Green, médica canadense, reflete sobre como a medicina afastou as pessoas da morte natural, defendendo o debate sobre a morte assistida. Ela participa de simpósio internacional online dedicado à discussão do tema no Brasil. O evento pode impulsionar o debate ético e legislativo sobre a morte assistida no país.

Por Adela Ramos · 10 de ago. de 2026, 09:01

A médica canadense Stefanie Green, referência internacional na discussão sobre morte assistida, destaca como a medicina moderna mudou a forma como encaramos a morte. Segundo Green, há cerca de um século, presenciar a morte de um ente querido em casa era comum, mas atualmente o processo ocorre quase sempre em ambientes hospitalares, cercado por aparelhos, o que teria afastado as pessoas de uma experiência mais natural e familiar com o fim da vida.

Morte assistida e o papel do médico

Após 20 anos atuando como obstetra, Stefanie Green se tornou uma das primeiras médicas autorizadas a realizar a morte assistida no Canadá, país que legalizou o procedimento recentemente. Ela já acompanhou mais de trezentos casos, tornando-se presidente fundadora da Associação Canadense de Avaliadores e Provedores de MAiD (Medical Assistance in Dying – assistência médica para morrer).

Green considera que tanto o parto quanto a morte assistida são momentos de enorme intensidade, nos quais o médico atua mais como um guia do que como protagonista. "Não sou a pessoa mais importante na sala", afirma. Para ela, médicos são profissionais que ajudam pessoas e, dentro dessa perspectiva, não vê conflito ético em apoiar o direito ao fim da vida, quando solicitado conscientemente pelo paciente.

Debate ético, direito humano e desafios no Brasil

A experiência canadense será compartilhada no primeiro simpósio internacional da organização brasileira Eu Decido, que pretende ampliar e qualificar o debate sobre a morte assistida no Brasil. O evento, que acontece em formato online na quarta-feira (12), contará com tradução simultânea e será uma oportunidade para trazer experiências internacionais à discussão nacional, já que atualmente não há legislação ou projetos de lei em tramitação sobre o tema no Congresso brasileiro.

Green rebate críticas frequentes de que a morte assistida desrespeita o princípio da inviolabilidade da vida humana. "Vejo esse processo como um direito humano", afirma, enfatizando que a discussão deve ser baseada no respeito à autonomia e à dignidade do paciente. “Durmo bem à noite”, conta, ao falar sobre sua confiança no aspecto ético de sua atuação.

Impacto na sociedade e perspectivas para o Brasil

A falta de familiaridade com a morte contribui, segundo Green, para o receio e a dificuldade da sociedade em abordar o tema com naturalidade. Para ela, trazer o assunto à tona, com informação qualificada e relato de experiências concretas, pode ajudar a diminuir tabus e ampliar o debate público no país.

O evento promovido pela Eu Decido poderá marcar um ponto de inflexão, incentivando discussões sobre a regulamentação da morte assistida no Brasil e os direitos dos pacientes frente a situações de sofrimento terminal.

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