Inverno e a Fauna Brasileira: Mudanças Comportamentais e Migrações
O inverno provoca migrações e mudanças na dieta da fauna brasileira, com alterações significativas no comportamento de várias espécies.
Por Rebeca Salazar · 11 de ago. de 2026, 05:55

O Impacto do Inverno na Fauna Brasileira
A chegada do inverno no Brasil traz consigo uma série de transformações no comportamento da fauna. Embora o país não apresente as nevascas típicas de climas temperados, as temperaturas mais baixas afetam significativamente as atividades dos animais e seus padrões migratórios. Um exemplo notável é o bem-te-vi-rajado (_Myiodynastes maculatus_), que migra milhares de quilômetros para a floresta amazônica em busca do calor tropical, deixando as regiões Sul e Sudeste.
Pesquisadores como Roberto Fusco, da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, explicam que, em regiões tropicais, o frio altera tanto os movimentos quanto a dieta dos animais. Apenas cerca de 10% das espécies de aves no Brasil são migratórias, o que é considerado baixo em comparação a outras partes do mundo. No entanto, muitas aves do Sudeste se deslocam para o Norte e retornam apenas no final do inverno. Isso inclui aves como o suiriri e a tesourinha, que se dirigem para locais mais quentes durante a estação fria.
Alterações Comportamentais
Com a diminuição das temperaturas, algumas espécies mudam seu comportamento. As aves, por exemplo, tendem a cantar menos, o que influencia também os ciclos reprodutivos, que geralmente não ocorrem durante o inverno. Já mamíferos como a cutia e o gato-mourisco adaptam seus horários de atividade, buscando alimento nas horas mais quentes do dia.
Na Mata Atlântica, estes animais diurnos aproveitam as tardes, enquanto os noturnos, como a jaguatirica, ajustam suas caçadas para o início da noite.
Efeitos das Estações na Disponibilidade de Alimentos
Além do frio, as variações sazonais de chuva e seca nos biomas brasileiros, como o Pantanal e a Amazônia, impactam diretamente a disponibilidade de alimentos. No Pantanal, por exemplo, durante a seca, os animais se concentram em áreas com água, o que facilita a caça para predadores como a onça-pintada. Em contraste, na época de cheia, esses grandes felinos se alimentam de presas que habitam as copas das árvores.
A Necessidade de Pesquisa e Conservação
A migração não se limita apenas a longas distâncias; animais como a anta também demonstram um padrão de movimento vertical, descendo para áreas mais baixas em busca de alimento quando as temperaturas caem. No entanto, a falta de pesquisa em muitas espécies dificulta a compreensão completa dos fatores que influenciam esses comportamentos migratórios.
Marco Aurélio Pizo, ornitólogo da Unesp, destaca a importância do investimento em estudos que ajudem a mapear as rotas de migração e as necessidades das espécies para a sua preservação. Com as mudanças climáticas afetando os padrões históricos de temperatura, é crucial que se mantenham áreas protegidas e corredores ecológicos para garantir a sobrevivência da fauna brasileira.
Como aponta Marion Silva, da Fundação Grupo Boticário, a conservação de habitats naturais é essencial para que as espécies consigam se adaptar às mudanças climáticas. A continuidade das pesquisas científicas é fundamental para compreender e preservar a rica biodiversidade do Brasil, que enfrenta desafios cada vez maiores em função das mudanças ambientais.