Conectividade e qualificação desafiam avanço da produtividade no campo brasileiro
A produtividade do campo brasileiro enfrenta obstáculos devido à falta de internet de qualidade e à necessidade de qualificação profissional. A Frente Parlamentar da Agropecuária destaca a importância desses fatores e cobra investimentos públicos e privados para derrubar essas barreiras, fundamentais para manter o Brasil como potência agrícola global.
Por Paula Jiménez · 26 de ago. de 2026, 06:15

Os impressionantes avanços na produtividade do agronegócio brasileiro ao longo das últimas décadas refletem investimentos robustos em pesquisa, novas tecnologias, práticas mais eficientes e qualificação de mão de obra. Contudo, desafios como a falta de acesso à internet de boa qualidade e a necessidade permanente de capacitação ainda limitam o potencial de crescimento do setor.
Necessidade de conectividade para impulsionar o campo
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a internet no meio rural é um dos gargalos mais críticos para produtores brasileiros. Sem conexão adequada, a adoção de soluções tecnológicas, como agricultura de precisão, gestão remota de equipamentos e uso de aplicativos para o controle das lavouras e da pecuária, torna-se inviável para pequenos e médios produtores.
Além da limitação para usar ferramentas digitais, a ausência de conectividade impede a comunicação rápida com fornecedores, assistência técnica e mercados consumidores, o que reduz a competitividade e a eficiência nas propriedades. Para a FPA, investir em infraestrutura digital é condição obrigatória para manter e expandir a liderança do Brasil no agronegócio global.
Capacitação: ferramenta essencial para a produtividade
Outro ponto destacado pela FPA envolve a qualificação dos trabalhadores e gestores rurais. A modernização no campo exige conhecimento em novas tecnologias, manejo sustentável, gestão de custos e processos, além do domínio dos critérios de certificação e exigências dos mercados internacionais.
A falta de programas de capacitação continuada limita a adoção efetiva de boas práticas e resulta em defasagem técnica, impactando diretamente a produtividade média de muitas propriedades. Organizações setoriais e entidades de ensino têm buscado expandir cursos e treinamentos, mas nem sempre conseguem alcançar regiões afastadas ou pequenos produtores.
Propostas e perspectivas para superar os gargalos
A FPA defende a ampliação dos investimentos públicos e privados em conectividade rural, estabelecendo parcerias com operadoras de telecomunicação e projetos de inclusão digital específicos para o campo. A expectativa é que, com internet mais acessível, produtores adotem tecnologias inovadoras capazes de aumentar a produtividade e rentabilidade.
No que se refere à qualificação, o estímulo a iniciativas do Sistema S, associações e cooperativas agrícolas pode multiplicar oportunidades de ensino adaptadas à realidade rural. Incentivos governamentais para a formação técnica e de pós-graduação na área agrícola são apontados como alternativas para reduzir esse gargalo nos próximos anos.
O que acompanhar nos próximos anos
A superação dos desafios de conectividade e qualificação poderá ser o grande diferencial para o Brasil manter sua trajetória crescente nas exportações e na produção sustentável de alimentos. O tema deve ganhar destaque nos próximos debates do setor agro, especialmente diante das novas exigências ambientais e tecnológicas internacionais.
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