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Comércio intrarregional na América Latina atinge nível alarmante

O comércio intrarregional entre os países latino-americanos caiu para o nível mais baixo em quase duas décadas, refletindo as tensões políticas entre Argentina e Brasil.

Por Alejandra Martínez · 11 de ago. de 2026, 06:29

Crise no Comércio Intrarregional

A relação entre Brasil e Argentina, marcada por desavenças diplomáticas, está impactando negativamente o comércio intrarregional na América Latina. O presidente argentino, Javier Milei, chamou Luiz Inácio Lula da Silva de "ladrão" e "corrupto", o que gerou um clima de tensão e levou o governo brasileiro a convocar seu embaixador em Buenos Aires para consultas. Enquanto essa disputa se torna um tema recorrente nas manchetes, outra questão mais alarmante se destaca: a queda acentuada do comércio entre os países da região, que atingiu seu nível mais baixo em quase duas décadas.

Queda nos Números

Segundo um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o comércio intrarregional caiu de 21% das exportações totais da região em 2008 para apenas 14% em 2024. Essa taxa é uma das mais baixas do mundo, especialmente quando comparada à União Europeia, onde mais de 60% das exportações são realizadas entre os próprios países membros. Essa diminuição do intercâmbio comercial entre os países latino-americanos representa uma oportunidade perdida em um mercado que possui mais de 660 milhões de habitantes e um PIB combinado de aproximadamente US$ 6,8 trilhões.

Despolitização do Comércio

Um dos principais desafios enfrentados na integração econômica da América Latina é a politização do comércio. O relatório sugere que, em vez de buscar acordos complexos e de difícil implementação, os países devem focar em acordos concretos em áreas específicas. Isso significa que, ao invés de se concentrar em declarações grandiosas, é vital trabalhar para reduzir as barreiras alfandegárias que dificultam a exportação de produtos entre os países da região.

Atualmente, muitos produtores latino-americanos acham mais fácil exportar para mercados distantes, como os Estados Unidos ou a China. Por exemplo, o México direciona 84% de suas exportações para os EUA, enquanto o Brasil envia 28% para a China e apenas 15% para o restante da América Latina. Isso indica que a região ainda não conseguiu aproveitar seu potencial comercial interno.

O Caminho para a Integração

O estudo enfatiza que a integração regional não deve ser vista como uma questão política, mas como uma oportunidade de crescimento econômico. Como mencionado por Iván Duque, ex-presidente da Colômbia, "precisamos despolitizar a integração comercial", sugerindo que a colaboração econômica pode ocorrer independentemente de ideologias políticas. A experiência da União Europeia, que começou com um tratado simples focado em carvão e aço, serve como um exemplo a ser seguido. A América Latina deve construir sua integração de forma gradual e focada em aspectos práticos que melhorem o comércio entre os países.

Conclusão

Diante das tensões políticas e da queda acentuada no comércio intrarregional, é crucial que os países latino-americanos reavaliem suas estratégias comerciais. A despolitização do comércio poderá abrir novas oportunidades e fortalecer a economia regional, beneficiando não apenas os governos, mas também os cidadãos dessa vasta e diversificada região. Para mais informações atualizadas, visite agrobraziltoday.com.

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