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Canetas emagrecedoras paraguaias: riscos e ilegalidade no Brasil

As canetas emagrecedoras do Paraguai são ilegais no Brasil devido à falta de registro na Anvisa e preocupações sobre a qualidade e segurança dos produtos.

Por Mario Sánchez · 11 de ago. de 2026, 05:05

Crescente popularidade das canetas emagrecedoras

Nos últimos tempos, as canetas emagrecedoras, especialmente aquelas comercializadas no Paraguai, se tornaram bastante populares entre brasileiros que buscam perder peso. Esses produtos prometem resultados significativos, utilizando agonistas de GLP-1, uma classe de medicamentos que revolucionou o tratamento da obesidade. No entanto, o alto custo desses medicamentos no Brasil tem levado muitos a optar por alternativas mais baratas, mesmo que ilegais, disponíveis no país vizinho.

A ilegalidade e riscos das canetas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que as canetas emagrecedoras vendidas no Paraguai, como Lipoless e TG, não possuem registro no Brasil. Isso significa que não foram submetidas a testes rigorosos de segurança e eficácia. Além disso, a Anvisa destaca que nunca houve solicitação de registro por parte dos fabricantes desses produtos, o que levanta preocupações sobre a qualidade das fórmulas.

Uma análise realizada pela Unicamp revelou a presença de tirzepatida nas canetas paraguaias, porém em quantidades irregulares. De acordo com a Anvisa, "não é possível afirmar que são equivalentes, pois não foram realizadas análises de impurezas, contaminantes ou até mesmo a biodisponibilidade da substância". Isso implica que a utilização desses produtos pode representar um risco significativo à saúde dos consumidores.

Problemas com o transporte e contrabando

Outro aspecto alarmante é a maneira como esses produtos são contrabandeados para o Brasil. As canetas, que precisam ser mantidas refrigeradas, são frequentemente transportadas em condições inadequadas, como dentro de pneus de carro e escondidas em ferragens. Essa prática compromete ainda mais a integridade dos medicamentos e aumenta os riscos à saúde.

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, alertou que a origem da tirzepatida nas canetas é desconhecida, e a falta de rastreabilidade e controle de qualidade torna o uso dessas substâncias extremamente perigoso. "O risco que a população corre é muito grave", ressaltou Safatle.

Iniciativas para combater o contrabando

Para coibir a entrada desses produtos ilegais, a Anvisa está colaborando com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal, implementando resoluções que permitem a retenção de medicamentos irregulares em fronteiras e aeroportos. Além disso, um novo memorando de entendimento entre as agências regulamentadoras do Brasil e do Paraguai está em vias de ser assinado, embora isso não signifique que produtos aprovados no Paraguai serão automaticamente aceitos no Brasil.

A posição dos profissionais de saúde

Médicos e profissionais da saúde também se manifestam contra a prescrição de medicamentos não registrados. O Conselho Federal de Medicina (CFM) recentemente publicou uma resolução que prevê punições para médicos que prescreverem esses produtos. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), junto com outras entidades, emitiu um alerta sobre os riscos associados ao uso das canetas emagrecedoras paraguaias, enfatizando a complexidade da fabricação de agonistas de GLP-1 e a necessidade de rigoroso controle de qualidade.

Alternativas seguras no Brasil

A boa notícia é que a Anvisa está trabalhando na aprovação de opções nacionais de canetas emagrecedoras. Até agora, uma caneta genérica foi aprovada, e mais oito devem ser liberadas até o final do ano. Essa iniciativa visa tornar os tratamentos mais acessíveis e seguros para a população, além de combater a concorrência desleal com produtos ilegais.

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