Canais de médicos criados por IA promovem desinformação no YouTube
Perfis criados por inteligência artificial se passam por médicos e vendem terapias sem comprovação científica, acumulando milhões de visualizações no YouTube. Apesar das diretrizes do YouTube contra desinformação médica, muitos canais permanecem ativos.
Por María Jesús Morales · 11 de ago. de 2026, 06:39

Perfis Falsos: A Nova Face da Desinformação
Nos últimos anos, um fenômeno alarmante tem tomado conta das redes sociais: perfis criados por inteligência artificial (IA) que se apresentam como médicos e oferecem terapias sem qualquer comprovação científica. Um estudo da organização CTRL+Z revelou que esses canais já somam mais de 70 milhões de visualizações no YouTube, sendo que apenas em junho deste ano, mais de 10 milhões de acessos foram registrados. Essa situação levanta sérias preocupações sobre a segurança e a saúde dos internautas desavisados.
A Estrutura dos Canais
Esses personagens, por vezes, se apresentam como profissionais de saúde com currículos falsos e histórias fictícias. Um exemplo é o 'Dr. Roberto Fontes', que, apesar de ser uma criação da IA, se diz cardiologista e geriatra, acumulando 95 mil seguidores em seu canal. A abordagem utilizada por esses perfis inclui vídeos de consultórios, a apresentação de currículos fictícios e narrativas de supostos pacientes que garantem a eficácia dos tratamentos propostos.
Além de fornecer informações enganosas, muitos desses canais também promovem a venda de infoprodutos, como e-books com receitas e dicas de saúde que não têm respaldo científico. Por exemplo, a Dra. Sofia Ferreira, apresentada como especialista em cardiologia, vende um guia que promete "reviver o coração" por apenas R$ 38.
Riscos e Consequências
Esses médicos de IA não só enganam os usuários, mas também podem prejudicar seriamente a saúde das pessoas que os seguem. A cardiologista Maria Emília Teixeira, da Universidade Federal de Goiás, destaca que cada paciente tem necessidades únicas, e que decisões médicas devem ser tomadas com base em informações completas e contextuais, algo que um vídeo gerado por IA jamais poderá fornecer.
Os conteúdos frequentemente abordam doenças comuns, como diabetes e hipertensão, e oferecem soluções simplistas e sem comprovação, como a substituição de medicamentos por ervas e chás. Isso pode levar a consequências graves, como a interrupção de tratamentos adequados.
A Resposta das Plataformas
O YouTube, por sua vez, afirma que conteúdos produzidos por IA devem seguir suas diretrizes, incluindo políticas contra desinformação médica. No entanto, muitos desses canais continuam ativos, o que levanta questões sobre a eficácia das medidas de monitoramento e controle. Além disso, a rotulagem de vídeos gerados por IA, embora uma tentativa de transparência, não tem sido suficiente para educar o público sobre o que é verdadeiro e o que é engano.
Conclusão: A Necessidade de Vigilância
Diante dessa nova forma de desinformação, especialistas alertam que é fundamental aumentar a conscientização sobre os riscos associados ao consumo de informações de saúde não verificadas. A responsabilidade recai tanto sobre as plataformas de mídia social quanto sobre os usuários, que precisam estar cada vez mais atentos às fontes de informação que consomem. A luta contra a desinformação é um desafio constante e exige um esforço coletivo para proteger a saúde pública.
Para mais informações atualizadas, visite agrobraziltoday.com