Abóboras Gigantes em Rio Verde: Orgulho e História Local
Em Rio Verde, Goiás, abóboras gigantes decoram a cidade e resgatam a história local, simbolizando orgulho e pertencimento entre os moradores.
Por Javier García · 26 de ago. de 2026, 07:07
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Na cidade de Rio Verde, Goiás, um espetáculo inusitado ganha destaque durante os meses de agosto e setembro: as abóboras gigantes. Conhecida como um dos polos do agronegócio brasileiro, a cidade enfeita suas praças, rotatórias, avenidas e prédios públicos com essas impressionantes variedades do fruto, que se tornaram símbolo de orgulho e resgate cultural para os moradores.
História das Abóboras Gigantes
O uso das abóboras como decoração remonta ao final do século XIX, quando, em 1870, três mil soldados do Exército Brasileiro acamparam na região conhecida como Arraial de Nossa Senhora das Dores do Rio Verde. Durante a Guerra do Paraguai, esses soldados, famintos, se alimentaram das abóboras que abundavam na região. Este episódio histórico, narrado pelo escritor Visconde de Taunay, deu origem ao curioso apelido de “Rio Verde das Abóboras”. Anteriormente considerado pejorativo, o termo agora é uma fonte de orgulho para a população local.
A Decoração e a Produção
Para celebrar o aniversário de 178 anos da cidade, a prefeitura decidiu cultivar abóboras de diversas variedades em uma área de seis hectares. As mais notáveis são as gigantes, como a Atlantic Giant e a Mammoth, variedades originárias dos Estados Unidos, usadas para as festividades de Halloween. Curiosamente, a fazenda que as cultiva está localizada em uma região chamada Colônia dos Americanos, colonizada por imigrantes dos EUA na década de 1970. A produção é impressionante: cerca de 500 toneladas anualmente, com 10 mil frutos em média, cada um pesando em torno de 50 quilos, e algumas chegando a quase 100 quilos.
Cuidados e Manejo
As abóboras são cultivadas em um clima seco, exigindo irrigação e cuidados específicos. Camila Caixeta, engenheira agrônoma da prefeitura, destaca que as plantas precisam de adubação adequada e proteção contra o sol. "Esses cuidados garantem que os frutos atinjam seu potencial máximo de tamanho e cor", explica Camila. A colheita ocorre no final de julho, e os frutos são utilizados na decoração por aproximadamente dois meses, sendo a maioria deles não comestível devido à sua textura fibrosa.
Do Orgulho à Identidade
O resgate da história das abóboras gigantes transformou um símbolo anteriormente visto como negativo em uma representação positiva da identidade rio-verdense. O prefeito Wellington Carrijo Júnior enfatiza a importância desse resgate cultural: "Quando expomos esses símbolos, criamos um sentimento de pertencimento entre os moradores". A cidade também promove festivais culinários e festas juninas com temática de abóbora, solidificando ainda mais essa conexão.
Em um momento de reflexão sobre a identidade local, o jornalista Pedro Cabral expressou: "Sou abobrense". Assim, as abóboras gigantes não são apenas frutos decorativos, mas um verdadeiro emblema da cultura e história de Rio Verde, Goiás.
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